domingo, 13 de maio de 2018

9\2001_Abade Trulchik Rinpoche em lisboa





http://www.restaurante-psi.com/wp-content/uploads/2014/05/quemsomos2.jpg
Campo dos Mártires da Pátria, também denominado «Campo Santana» 
junto ao : http://www.restaurante-psi.com/ um dos mais antigos restaurantes vegetarianos da capital com portas abertas há quinze anos. O jardim que o envolve foi inaugurado por Dalai Lama e Trulchik Rinpoche ,um excelente presságio e talvez um dos maiores motivos para conhecer este espaço.



Alameda St António Capuchos, Lisboa
1150-314 Lisboa
Tel: (+351) 213 590 573
psiveg@gmail.com

na altura Sua Santidade recebeu no Porto o Doutoramento Honoris Causa pela Universidade
Lusíada e de passagem por Coimbra deu igualmente uma Conferência no Teatro Académico.
Após uma visita ao Santuário de Fátima, veio para Lisboa onde, para além
dum contacto com o, então Presidente da República, Dr. Jorge Sampaio, deu uma outra
conferência na Aula Magna da Universidade de Lisboa sobre o tema “A Mente, a Religião
e a Ciência” e presidiu a uma cerimónia de consagração de um pequeno Jardim
para a Paz – o Jardim dos Sabores perto do Campo dos Mártires da Pátria, a que quiseram,
voluntariamente, associar-se, num gesto de profundo significado simbólico e de
comunhão espiritual inter-religiosa, representantes de várias confissões religiosas,
para além do então Presidente da Câmara, Dr. João Soares.
Para recordar para o futuro esse acto, ali ficou um pequeno obelisco com uma famosa
quadra do grande mestre budista indiano Shantideva:


“Enquanto existir o espaço

Enquanto aí existirem seres

Possa eu também permanecer

Para dissipar a dor do mundo.”
2007 "O Bodhicharyavatara [A Via do Bodhisattva] foi composto pelo sábio indiano Shantideva, renomeado no Tibete como um dos mestres mais dignos de confiança. Visto que principalmente incide no cultivo e na intensificação do bodhichitta, a obra pertence ao Mahayana. (…)
O foco principal dos ensinamentos do Mahayana reside no cultivo de uma atitude mental que deseja beneficiar os outros seres sensíveis. Com um acréscimo no nosso próprio sentimento de paz e felicidade, seremos naturalmente mais capazes de contribuir para a paz e a felicidade dos outros. Transformar a mente e cultivar uma atitude positiva, altruísta e responsável é benéfico neste preciso momento. Sejam quais forem os problemas e dificuldades que possamos ter, podemos assim enfrentá-los com coragem, calma e bom-humor. Isto é, assim, a própria raiz da felicidade para muitas vidas futuras.
Baseado na minha própria experiência diminuta, posso dizer com confiança que os ensinamentos e as instruções do Dharma do Buda, e particularmente os ensinamentos do Mahayana, continuam hoje em dia a ser relevantes e úteis. Se sinceramente pomos em prática a essência destes ensinamentos, não temos de hesitar acerca da sua eficácia. Os benefícios de desenvolver qualidades como o amor, a compaixão, a generosidade e a paciência não se confinam apenas ao nível pessoal; estendem-se a todos os seres sensíveis e mesmo à manutenção da harmonia com o meio ambiente. Não é como se estes ensinamentos tivessem sido úteis nalgum tempo passado, mas já não fossem relevantes nos tempos modernos. Eles permanecem pertinentes hoje. É por isto que encorajo as pessoas a prestarem atenção a tais práticas; não se trata apenas de poder preservar a tradição. O 
Bodhicharyavatara tem sido amplamente aclamado e respeitado ao longo de mais de mil anos. É estudado e elogiado por todas as quatro escolas do budismo tibetano. (…) Este texto comprovou ser muito útil e benéfico para a minha mente."Sua Santidade o Dalai Lama, In «Prefácio»
"A presente obra é uma jóia da literatura e do pensamento universal e um dos maiores clássicos da espiritualidade budista, cujo valor não se pode todavia medir por critérios meramente académicos ou literários, pois a sua natureza última é como a do espelho que directamente nos confronta com a nossa ignorância e negatividade, como a da espada da sabedoria que as corta pela raiz e como a do diamante que manifesta a indestrutível pureza da nossa própria natureza de Buda, assim desencoberta. É por isso que o estudo, a reflexão e a meditação de A Via do Bodhisattva têm mudado radicalmente inúmeras vidas e levado muitos seres à LUZ. É esse o seu objectivo primeiro e último e não menos que isso pede dos seus leitores, como tão incisivamente aponta Jigme Khyentse Rinpoche no prefácio que teve a bondade de escrever para esta edição portuguesa. (…)
Para terminar, não podemos deixar de partilhar quão gratificante é traduzir obras como o Bodhicharyavatara na língua de Luís de Camões, Padre António Vieira e Fernando Pessoa. Como o viram estes autores, e também o seu mais recente herdeiro, Agostinho da Silva, a maior vocação de Portugal é precisamente o ecumenismo e a universalidade, acolher entre nós e levar ao mundo o que haja de melhor na sabedoria das tradições planetárias. É neste sentido que pessoalmente sentimos que, ao recebermos na nossa língua e cultura obras como esta, estamos a continuar e a cumprir, cremos que a um nível superior – já livre da obsessão da fé e do império político ou económico –, a viagem iniciada no século XV para o Oriente e o mundo. É perante obras como a de Shantideva que mais se sente a verdade do que escreveu Pessoa: que o verdadeiro destino dessa viagem, sem a qual não é possível compreender Portugal nem a nossa saudade de um não sei quê, são as «Índias espirituais», que «não vêm nos mapas», porque nos são desde sempre íntimas ao mais fundo do coração."

Paulo Borges, In "Nota à Tradução Portuguesa" link